ÀS ORGANIZAÇÕES, MOVIMENTOS E ENTIDADES DE DIREITOS HUMANOS

O SISMMAR – Sindicato dos Servidores Municipais de Maringá – vem a público chamar a atenção da população, das entidades, das organizações e movimentos preocupados com os direitos humanos.
Por falta de atendimento de nossas reivindicações e pela recusa por parte da atual administração do Prefeito Silvio Barros II (PP), fomos obrigados a entrar no 18º dia de greve.
Nossa greve tem como pauta de reivindicação o pagamento de reposição salarial de 16,67%, o pagamento da Progressão Funcional, a regulamentação do Plano de Carreira, Cargos e Salário e o Fim das Perseguições contra os servidores.
Até agora o Prefeito Silvio Barros II não atendeu nenhuma das reivindicações solicitadas pelos servidores.
No dia 16 de junho o Prefeito fez uma exigência para que os servidores liberassem os caminhões para a coleta do lixo. Essa foi a condição que o Prefeito impôs para que sentasse e negociasse com a Comissão de Negociação.
Mesmo sem nenhuma garantia de que, uma vez liberados os caminhões, o Prefeito iria negociar, o Comando de Greve decidiu arriscar e cumpriu com sua parte no acordo com o Prefeito, colocando todos os caminhões no processo de limpeza da cidade, conseguindo, além disso, que a maioria dos coletores fossem trabalhar, além dos 30% essenciais já garantidos desde o início da greve.
Entretanto, o Prefeito, depois de cerca de 10 minutos na reunião, se retirou e deixou uma Comissão, que não apresentou nenhuma proposta concreta e não assinou nenhum documento que comprovasse efetivamente que as reivindicações seriam cumpridas.
Durante essa reunião, membros do Comando de Greve que acompanhavam os caminhões tiveram seus carros fechados por motos que eram pilotadas por seguranças privados que usavam cacetetes e armas de fogo.
Depois das ameaças, os membros do Comando foram embora, mas os caminhões foram apropriados por esses seguranças que os colocaram a serviço da empresa privada Ponta Grossa Ambiental, contratada pelo Prefeito Silvio Barros II para fazer a coleta de lixo da cidade no lugar dos servidores municipais.
O episódio de ameaça armado é mais uma prova do processo de truculência com que tem sido encarado o processo de greve dos servidores pelo Prefeito.
Ao total, já foram 04 servidores espancados, 01 atropelado por um carro da Prefeitura, dois escaparam por sorte desses atropelamentos e outros servidores foram ameaçados por esses seguranças armados.
A última ameaça aos servidores ocorreu na madrugada do dia 21 para o dia 22, onde os motoristas de um Corsa arrancou uma pistola de fogo ameaçando atirar nos grevistas que se mantinham mobilizados no local. Ademais, diversos funcionários foram agredidos verbalmente. Alguns servidores inclusive foram vítimas de insultos racistas.
Reafirmando esse trágico quadro de violência, um jornalista da cidade, que fazia uma matéria a respeito da escolta dos caminhões, teve seu carro fechado no centro da cidade por três motos pilotadas por seguranças privados. Mesmo depois de identificar-se, continuou sendo ameaçado.
Até onde se sabe, esses seguranças armados foram contratados pela empresa privada encarregada pelo Prefeito de substituir os serviços dos servidores municipais. O nome da empresa, conforme nota divulgada na imprensa, é Kamilus.
O que preocupa efetivamente é que trata-se de formação de milícias armadas encarregadas de proteger a empresa privada Ponta Grossa Ambiental.
Os episódios de violência e ameaças não param de aparecer e os servidores temem por suas próprias vidas.
No dia 22 de junho, por volta das 06:00 horas, um batalhão de policiais, com cerca de 15 ou 20 viaturas, foram até o setor de obras, onde servidores estão mobilizados embaixo de barracas de lona dia e noite, retirar os caminhões de dentro do pátio, alegando determinação judicial que ainda não foi devidamente notificado ao Sindicato. Os policiais, que disseram para alguns manifestantes “tomarem cuidado porque sabemos onde vocês vivem”, afirmaram que retornarão ao local depois que os pneus dos caminhões foram enchidos. Cabe ressaltar que apenas algumas milícias encapuzadas entraram no pátio dos caminhões pelas portas dos fundos. Os funcionários ficaram o tempo todo do lado de fora do local.
Não somente o direito de greve, mas o próprio direito de ir e vir e o direito de manifestar a expressão estão sendo brutal e impunemente violados.
Por essa razão, estamos pedindo a ajuda das entidades, organizações e movimentos preocupados com os direitos humanos.
Queremos o apoio e a solidariedade de todos que lutam pelos direitos dos trabalhadores.
Não podemos nos calar diante dessas arbitrariedades cuja responsabilidade cabe única e exclusivamente ao Prefeito Silvio Barros II.
A greve continuará enquanto o Prefeito não atender as reivindicações dos servidores.
Nossa luta é justa, legal e legítima. Não vamos desistir.
Contamos com o apoio de todos.
Saudações sindicais.

Atenciosamente,

Ana Pagamunici
Presidente do SISMMAR – Sindicato dos Servidores Municipais de Maringá

Maringá (PR), 22 de junho de 2006.

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