A conquista das 30h para a Enfermagem: quando a união faz história em Maringá
Há bandeiras que atravessam o tempo. A luta pela jornada de 30 horas para a saúde é uma delas. No Brasil inteiro, gerações de trabalhadores e trabalhadoras da saúde empunharam esse ideal como símbolo de valorização, respeito e condições dignas de trabalho. Em Maringá, não foi diferente. O SISMMAR carregou esse compromisso por anos, em debates, campanhas e mesas de negociação.
Desde 2024, a energia das reuniões noturnas no sindicato, com diretoras e a comissão das 30h, foi tecendo os fios de uma conquista. Médicos veterinários, enfermeiros, técnicos, auxiliares, profissionais de laboratório, vozes diversas da saúde se reuniam, às vezes depois de longos plantões, para discutir cada linha de uma proposta. Aquele documento, fruto de noites de café e cansaço, ganharia as ruas da política ao ser apresentado a todos os candidatos à prefeitura.
O ano começou com um clima de expectativa e até de otimismo quanto à possibilidade de diálogo e avanços nas negociações. Mas a realidade que se impôs foi bem diferente: autoritarismo, intransigência e até retrocessos, com o anúncio do fim da escala 12×60, modelo que organizava a vida de centenas de servidores da saúde. A tentativa de ataque não passou despercebida. Diante desse cenário, a reação do sindicato foi imediata e à altura, com energia e firmeza. A categoria respondeu forte, mostrando que não aceitaria calada nenhuma forma de retirada de direitos.
A chama se espalhou. O sindicato convocou, e a categoria compareceu A assembleia que lotou as dependências do SISMMAR entrou para a memória coletiva da cidade: um mar de vozes firmes, conscientes de que só a união entre sindicato e trabalhadores poderia virar o jogo. E virou.
Com a mobilização crescente e a greve da educação no horizonte, a Prefeitura recuou. Em gesto que soou como vitória antecipada, reconheceu a legitimidade da reivindicação, garantiu a manutenção provisória da 12×60 e, o mais importante, assumiu o compromisso de encaminhar à Câmara o projeto de lei das 30h para a Enfermagem.
Não foi presente. Foi conquista. Houve ainda novas rodadas de pressão, reuniões com vereadores, idas e vindas nos corredores da política. Até que, em votação no plenário, a lei finalmente foi aprovada. E Maringá viu nascer, em 2025, uma página histórica: a regulamentação das 30h da Enfermagem, conquista arrancada pela mobilização coletiva.
Hoje, nos primeiros meses de vigência, o SISMMAR acompanha de perto cada detalhe de sua implementação. E deixa claro: a vitória é real, mas a luta não terminou. Outras categorias da saúde também precisam ser contempladas, porque ninguém ficará para trás.
A conquista das 30h é, sobretudo, uma lição. Quando trabalhadores e sindicato se reconhecem como parte da mesma força, nenhuma promessa de retrocesso sobrevive. Maringá pode olhar para esta história como um retrato de como o serviço público se fortalece: com união, coragem e disposição de luta reafirmando o nosso caráter estratégico para o desenvolvimento de nossa cidade.
